Talvez tenha sido a queda de um meteorito que deu origem à “Zona”, um lugar cheio de perigo e de ocorrência de fenômenos misteriosos. Evacuada a população que ali vivia, a “Zona” ficará sob a interferência de um comando militar para impedir o seu acesso aos curiosos. Ousam aventurar-se neste perigoso ambiente somente os “Stalker”, estranhos personagens que, arriscando a vida por um pouco de dinheiro, conduzem clandestinamente pessoas desesperadas à procura da solução dos seus problemas. Acontece que na “Zona” existe um tipo de “sala dos desejos”, onde quem chega até ela consegue realizar as suas aspirações, mas se deve aproximar da “Zona” com extrema cautela, como bem advertem os “Stalker”. Um dos “Stalker” encontra num bar dois clientes (um cientista e um escritor), que deverá acompanhar numa próxima viagem. Os motivos que os levaram a programar a viagem são apenas questionamentos intelectuais. O “Stalker” vive numa casa miserável, com a mulher e uma filha (uma menina doente, cujas radiações da “Zona” a transformaram numa mutante). A sua única razão de viver é conduzir viajantes pela “Zona”, ajudando-os a chegar até a “sala”. Em várias ocasiões após a projeção das suas obras, Tarkovski ficou perplexo diante dos pedidos para que revelasse os significados de certos elementos visíveis como a chuva, o vento, a água, o fogo, muito freqüentes na sua poética filmografia. O que é a Zona? - uma vez lhe perguntaram. Tarkovski respondeu: “a Zona, como tudo nos meus filmes não simboliza nada. A Zona é simplesmente a vida. Atravessando-a o homem ou se despedaça ou resiste”. O cinema de Andrei Tarkovski é, por definição, realista, como forma artística que procura se aproximar da verdade. Em Stalker, Tarkovski parece querer representar a sua vida de artista e a vida humana, que enfrenta o desconhecido e que hospeda dentro de si uma idéia nova de tolerância aos sentimentos de risco e de imprevisibilidade. Entrar na “Zona” e sobreviver não é fácil, assim como não é fácil descer aos extratos profundos de si mesmo e retornar. Talvez criando a fonte das suas próprias criações, com a capacidade intuitiva e de precaução, própria dos “Stalker”.
Wednesday, December 27, 2006
Talvez tenha sido a queda de um meteorito que deu origem à “Zona”, um lugar cheio de perigo e de ocorrência de fenômenos misteriosos. Evacuada a população que ali vivia, a “Zona” ficará sob a interferência de um comando militar para impedir o seu acesso aos curiosos. Ousam aventurar-se neste perigoso ambiente somente os “Stalker”, estranhos personagens que, arriscando a vida por um pouco de dinheiro, conduzem clandestinamente pessoas desesperadas à procura da solução dos seus problemas. Acontece que na “Zona” existe um tipo de “sala dos desejos”, onde quem chega até ela consegue realizar as suas aspirações, mas se deve aproximar da “Zona” com extrema cautela, como bem advertem os “Stalker”. Um dos “Stalker” encontra num bar dois clientes (um cientista e um escritor), que deverá acompanhar numa próxima viagem. Os motivos que os levaram a programar a viagem são apenas questionamentos intelectuais. O “Stalker” vive numa casa miserável, com a mulher e uma filha (uma menina doente, cujas radiações da “Zona” a transformaram numa mutante). A sua única razão de viver é conduzir viajantes pela “Zona”, ajudando-os a chegar até a “sala”. Em várias ocasiões após a projeção das suas obras, Tarkovski ficou perplexo diante dos pedidos para que revelasse os significados de certos elementos visíveis como a chuva, o vento, a água, o fogo, muito freqüentes na sua poética filmografia. O que é a Zona? - uma vez lhe perguntaram. Tarkovski respondeu: “a Zona, como tudo nos meus filmes não simboliza nada. A Zona é simplesmente a vida. Atravessando-a o homem ou se despedaça ou resiste”. O cinema de Andrei Tarkovski é, por definição, realista, como forma artística que procura se aproximar da verdade. Em Stalker, Tarkovski parece querer representar a sua vida de artista e a vida humana, que enfrenta o desconhecido e que hospeda dentro de si uma idéia nova de tolerância aos sentimentos de risco e de imprevisibilidade. Entrar na “Zona” e sobreviver não é fácil, assim como não é fácil descer aos extratos profundos de si mesmo e retornar. Talvez criando a fonte das suas próprias criações, com a capacidade intuitiva e de precaução, própria dos “Stalker”.

1 Comments:
E dai Estevandro.. qt tempo cara. Parabens pelo blog, vou ler com certeza, ja esta nos meus favoritos. Akele abraço
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